Algum dos meus (05) leitores viu o site do Clarín logo depois que o Brasil perdeu? Dizia "en Buenos Aires, se festejó la derrota brasileña casi como un triunfo propio". Quem esteve na rua logo depois me contou que teve buzinaço, o povo gritando. Meu argentino tamanho família, que trabalha na Plaza de Mayo, confirmou e disse que, á noite, os caras cantavam em um bar uma musiquinha desagradável sobre os brasileiros.
Pois é, os argies adoraram que o Brasil perdeu. Comemoraram até, zoaram a gente, uma alegria. Deveriam ter esperado um pouco mais, né? Afinal dizem que quem ri por último, ri melhor. E não deu outra...
Vi o jogo do Brasil no cineminha da empresa, junto a colegas brasileiros e alguns argentinos, que no começo eram só alguns e mais pro fim do jogo eram vários. Saindo de lá, umas imbecis meninas começaram a rir. Rir com gosto. Meu… nós, brasileiros da empresa, não fomos lá encher o saco nos jogos da Argentina. Então respeitem, né? Mas eu não resisti, falei “vamos ver quem vai rir amanhã”. E pelo jeito praga de Djones pega, não?
Foi super relaxante voltar para a minha mesa e escutar meus colegas rindo, conversando entre eles, todos faceiros. Que vontade de matar abraçar todos eles. Alguns vieram falar com a gente mas na boa, nenhum ofendeu ou quis dar uma de engraçadinho. Vários disseram "me deixa curtir as menos de 24 horas de felicidade". Parece que sabiam o que estava por vir.
Pois é, a Argentina tomou um sabão da Alemanha. Um salsichão de 4, como disseram no twitter. BEM-FEITO! Quem mandou comemorar tanto que o Brasil perdeu? Eu adorei, fiquei o sábado inteiro rindo sozinha. Depois do jogo senti vontade de sair na varanda sambando ao som daquela música da Beth Carvalho que diz "Choooora/ Não vou ligaaaar/ Chegou a hoooora/ Vais me pagar/ Pode chorar/ Pode chorar (mas choooora!)". Só não fiz isso por amor à minha vida. Matei a vontade colocando essa música quando meu argentino XL chegou à minha casa.
Nem o mais pessismista dos argentinos esperava essa goleada. O La Nación disse que foi un "cachetazo de realidad", um tapa de realidade que acabou com o sonho deles de conquistar o tri - que nós conquistamos há 40 anos, vale lembrar (hihihihi). Na TV diziam "se quebró la ilusión". Eu saí pra comer logo depois do jogo e fui pra Av. Santa Fé, uma das mais famosas aqui de Buenos Aires. O que tinha de gente toda paramentada com camisetas e chapéus da Argentina e com cara de cocô... dava gosto de ver.
É de conhecimento público que eu não torço pra Argentina. (ah sim, Djones, inclusive o "público" tá muito interessado em pra quem você torce. Mas continua.). Acho que o fato de morar aqui há tanto tempo não me obriga a isso. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Tenho um amigo argentino que morou 14 anos no Brasil, foi casado com brasileira. Pra quem ele torce? Pra Argentina, claro. E tá certo ele! A gente torce pra quem o coração manda, pro time com que a gente se identifica. E no meu caso é o Brasil e só o Brasil, sorry! Posso até simpatizar com algum outro time, mas com o nosso rival histórico? Não. Mas é na boa, não é ódio nem hostilidade nem nada disso. Na verdade nem me importa tanto, é mais na brincadeira mesmo.
Dessa vez eu fiquei surpreendida com o quanto eles comemoraram a derrota do Brasil. Não gostei nada, e por isso fiquei tão contente com a derrota deles. Foi aquela coisa de "TOOOMEEE!" (ou "chupa" para os mais mal-educados). E no fim, depois de ficar com tanto medo de ter que aguentar os argies buzinando no meu ouvido, eu aguentei o menos de zoação possível, porque o Brasil saiu num dia e a Argentina, no outro. Aconteceu quase a mesma coisa na Copa de 2006 mas ao contrário, eles saíram primeiro. Na época eu fiquei quietinha e nem zoei ninguém, porque o Brasil jogaria no dia seguinte e deu no que deu. Eles deveriam ter feito a mesma coisa! Então foi isso, estou há duas Copas aqui e tive que aguentar o menos possível, embora um pouco mais nessa. Menos mal, né?
E termino o post com mais um pouquinho de Beth Carvalho: "vou festejar/ Vou festejar/ O teu sofreeeeer/ O teu penaaar"!! (hihihihi)